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"Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?"
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"Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram."
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Se, quando assistes um soberbo pôr-do-sol, ou vês uma praia encantada, te
lembras da tua infância, do teu primeiro amor, de uma bela viagem... nunca
ouviste passar o vento.
Se, quando ouves o canto do sabiá, ou uma linda
canção, te lembras de uma pessoa querida, de algo que já não tens mais....
nunca ouviste passar o vento.
E se nem ouves nem vês coisa nenhuma, e a
simples associação de idéias te conduz por palácios encantados, trazendo-te um
grande bem-estar, ou te faz vagar por florestas inóspitas, onde te
sentes perdido... nunca ouviste passar o vento.
Assim será, enquanto a realidade não for
mais do que um pretexto para continuarmos escutando constantemente a nós mesmos
— nossas vozes iradas, desconsoladas, ansiosas —, ou vendo as
imagens que nos marcaram, de tudo aquilo que temos conhecido ou
experimentado, despertando assim velhas sensações, pelas quais vivemos.
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