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"Acalme-se, Pocinha", respondeu uma velha mas
ainda robusta poça dágua, que fazia as vezes de ministro religioso, a
qual, por viver mais à sombra, prolongara seus dias "isso ocorre a todos nós.
Mas cada uma de nós possui um espírito pessoal das Poças Dágua, o qual
sobrevive, e se reunirá a todos os espíritos de poças já evaporadas, mas
somente as que, em vida, limparam bem toda a sujeirinha de seus leitos".
"Então estou perdida", murmurou Pocinha.
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"Não, irmã. Todas nós temos pequenos calhauzinhos coloridos e lindas
pétalas de flores, mas, infelizmente, a lama e as folhas mortas também teimam
em nos habitar. Nossa existência é uma eterna luta entre esses
opostos. O ideal seria ficar somente com a parte limpa e boa, erradicando os
detritos, mas não o conseguimos. Assim tudo o que podemos fazer
é nos arrepender de uma vida errada, e entregarmos nosso espírito ao Mistério
de todas as Poças Dágua".
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