A poça que não queria morrer - II ( versão ocidental - 12/03/06)

"Acalme-se, Pocinha", respondeu uma velha mas ainda robusta poça dágua, que fazia as vezes de ministro religioso, a qual, por viver mais à sombra, prolongara seus dias — "isso ocorre a todos nós. Mas cada uma de nós possui um espírito pessoal das Poças Dágua, o qual sobrevive, e se reunirá a todos os espíritos de poças já evaporadas, mas somente as que, em vida, limparam bem toda a sujeirinha de seus leitos".

"Então estou perdida", murmurou Pocinha.

"Não, irmã. Todas nós temos pequenos calhauzinhos coloridos e lindas pétalas de flores, mas, infelizmente, a lama e as folhas mortas também teimam em nos habitar. Nossa existência é uma eterna luta entre esses opostos. O ideal seria ficar somente com a parte limpa e boa, erradicando os detritos, mas não o conseguimos. Assim tudo o que podemos fazer é nos arrepender de uma vida errada, e entregarmos nosso espírito ao Mistério de todas as Poças Dágua".

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