A poça que não queria morrer - II  (versão oriental - 14/03/06)

"Tenho medo, pois não sei para onde vou", lamentava-se Pocinha.

"Acalme-se, amiga", respondeu uma velha mas ainda robusta poça dágua, que fazia as vezes de monge — não há nenhum lugar para ir, nem tampouco existe alguém para ir a lugar algum".

"Então estou perdida", murmurou Pocinha.

"Não, irmã. Veja dessa forma: todas nós temos pequenos calhauzinhos coloridos e lindas pétalas de flores, mas também um bocado de lama e de folhas mortas. E tudo isso é fruto do tempo e da experiência, e tem o mesmo direito de existir. Querer ficar somente com a parte limpa e boa, erradicando os detritos, cria aquele que quer continuar, e impede-nos de ver a realidade tal como é — eternas mutações —, surgindo daí o medo".

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