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Hoje fui bem cedo ao Parque Ibirapuera. Ainda eram cinco e meia da manhã, mas o
azul profundo da noite ia desmaiando num azul mais claro nos lados do
leste, enquanto as estrelas ensaiavam uma despedida.
Já havia várias dezenas de pessoas, a maioria
em pequenos grupos. Pessoal habituado, uns conversavam ao caminhar, outros
seguiam em marchas forçadas ou mesmo correndo, com fones de ouvidos nas
orelhas, um aparelho atado no antebraço (algum tipo de medidor), celular
na parte de trás, enfiado no calção.
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Não pareciam estar ali para contemplar, celebrar a magia da percepção, caminhar
aspirando profundamente o ar puro da manhã, e, sim, basicamente
para cumprir um programa de condicionamento físico antes de ir trabalhar.
Certamente as preocupações e ansiedades do novo dia também já haviam despertado
e estavam em plena atividade. Elas nos incomodam, roubam energia, por isso
temos esse empenho diário em afastá-las para longe.
Correndo, fazendo alongamentos ou
caminhando energicamente, parece que depois de algum tempo o cérebro libera
hormônios que dão uma sensação de bem estar, e assim as pessoas começam melhor
o dia.
Mas, caminhar de celular às seis horas da
manhã... usar fones de ouvidos, isolando a pessoa do ambiente, perdendo os
sons da Natureza... neutralizar o que ouvimos, não prestar atenção ao que vemos
nem aos cheiros que sentimos... que triste!
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