Uma parábola
Rabindranath Tagore - grande poeta e escritor indiano, prêmio Nobel de Literatura em 1914

Eu mendigava de porta em porta, pelo caminho da aldeia, quando um carro de ouro surgiu à distância e parecia um sonho esplêndido.

Perguntei a mim mesmo quem seria esse Rei de todos os reis. Minhas esperanças subiram ao céu. Eu pensava: terminaram os meus dias nefastos. E tive esperança de esmolas espontâneas e de riquezas soltas na areia.

O carro parou onde eu estava. Ele me olhou e chegou-se sorrindo. Eu senti que afinal chegara o dia da minha felicidade.

E de repente estendeu-me a mão direita, perguntando: "Que tens para mim?"

Ah, teu gesto real de estender a mão direita a um mendigo!  Confuso, perplexo, meti a mão na sacola e, devagar, retirei um pequeno grão de trigo, que lhe ofereci.

Mas, à tardinha, foi enorme a minha surpresa. Esvaziando a minha sacola, vi um grão de ouro entre os de trigo.

Chorei lágrimas amargas e lamentando-me dizia: "Por que não lhe dei tudo?"

Voltar