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Eu mendigava de
porta em porta, pelo caminho da aldeia, quando um carro de ouro surgiu à
distância e parecia um sonho esplêndido.
Perguntei a mim
mesmo quem seria esse Rei de todos os reis. Minhas esperanças subiram ao céu.
Eu pensava: terminaram os meus dias nefastos. E tive esperança de esmolas
espontâneas e de riquezas soltas na areia.
O carro parou
onde eu estava. Ele me olhou e chegou-se sorrindo.
Eu senti
que afinal chegara o dia da minha felicidade.
E de repente
estendeu-me a mão direita, perguntando: "Que tens para mim?"
Ah, teu gesto
real de estender a mão direita a um mendigo!
Confuso,
perplexo, meti a mão na sacola e, devagar, retirei um pequeno grão de trigo,
que lhe ofereci.
Mas, à tardinha,
foi enorme a minha surpresa. Esvaziando a minha sacola, vi um grão de ouro
entre os de trigo.
Chorei lágrimas
amargas e lamentando-me dizia:
"Por que não lhe dei tudo?"
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