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4. O mês
Romano
(continuação -
ver parte inicial)
Para os romanos, o mês se baseava em
três partes: Calendas, Idos
e Nonas.
As Calendas (de onde vem a
palavra calendário) eram no dia 1º. Consagrado à deusa Juno, esposa de Júpiter,
esse dia se destinava ao pagamento das dívidas.
Os gregos não tinham Calendas. Assim,
quando um romano não pretendia pagar suas dívidas, ou mesmo cumprir qualquer
compromisso, dizia que o deixava "para as Calendas gregas". Essa expressão
existe até hoje.
Os Idos correspondiam ao dia
15 em março, maio, julho e outubro, e ao dia 13 nos demais meses. Costuma-se
usar a expressão "os Idos de março", porque Júlio César foi morto nesse dia, no
Senado, em 44 a.C.
As Nonas eram o nono dia antes dos
Idos. Até as Nonas, o dia do mês era contado pela sua distância a elas.
Passadas as Nonas, o dia do mês era contado pela distância às Calendas do mês
seguinte.
5 - A Semana
Recordemos inicialmente que, para os
povos primitivos, os meses e anos se baseavam na Lua: quatro lunações = 1 mês
lunar, e 12 meses lunares = 1 ano lunar (354 dias).
Assim ainda é hoje, para efeito das
festas religiosas ou populares, o ano judaico, o muçulmano, o vietnamita, etc.
A semana de 7 dias (do latim septimana)
pode ter surgido em função das fases da lua (cada fase dura aproximadamente 7
dias) ou, talvez, dos planetas conhecidos (cinco), combinados com os nomes de
alguns deuses.
Esta semana é originária da Ásia. Foi
para a Europa e, depois, com o Islamismo, para o norte da África.
Em outras partes da África, entre as
tribos, encontramos semanas de 3, 4, 5, 6 e 8 dias, com os nomes dos dias
frequentemente associados aos mercados e feiras.
No Congo, a palavra que designa semana
é a mesma que significa mercado.
Entretanto, no Ocidente, os dias se
referem ao Sol, à Lua (divinizados), e a outros deuses do passado.
Citamos abaixo os dias da semana em
Latim:
Dies Solis (dia do Sol)
Dies Lunae (dia da Lua)
Dies Martis (dia de Marte)
Dies Mercurii (dia de Mercúrio)
Dies Jovis (dia de Júpiter)
Dies Veneris (dia de Vênus)
Dies Saturni (dia de Saturno)
Com exceção de sábado e domingo, as
outras designações existem até hoje nos calendários francês, espanhol,
italiano, etc. (línguas latinas).
6 - A semana eclesiástica
Com a vitória do Cristianismo, a Igreja
acabou por adotar um calendário que fugisse às referências pagãs. No Latim
clássico, a palavra feriae, feriarum significava férias ou festas, e só era
usada no plural (pluralia tantum).
No século 4, o Imperador Constantino
ordenou que todos os dias da Semana Santa fossem feriae (feriados). Com o latim
vulgar, a palavra feriae adquire singular e, desde o Papa Silvestre I, santo,
(de 314 a 335), os documentos pontifícios passam a registrar a semana como
segue:
Dominica (dia do Senhor);
feria secunda (segunda festa);
feria tertia (terceira festa);
feria quarta (quarta festa);
feria quinta (quinta festa);
feria sexta (sexta festa) e
sabbatum (do hebraico, para ligar-se ao Velho Testamento).
Isto se manteve até hoje. Todavia, os
povos cristãos não modificaram os nomes de seus dias semanais.
7 - A escolha de Portugal
Quando Portugal foi reconhecido como
reino independente, em 1143, separando-se de Leão e Castela, grande parte da
Espanha estava sob domínio dos árabes muçulmanos.
Braga, ao norte, era o grande
Arcebispado de Portugal (os da Espanha estavam ocupados). É então que o
Arcebispo de Braga, Primaz da nova nação, exige que se adote em Portugal a
semana eclesiástica.
A palavra feria, do latim tardio,
originou festa e feira, em português. Por que adotamos feira?
Podemos fazer suposições: por um lado,
como já vimos, há povos da África que estabeleciam uma conotação semelhante.
Eram desconhecidos na época, mas o fato revela uma tendência.
Por outro lado, as feiras têm sempre um
aspecto festivo. Em certos casos, são autênticas FESTAS, como certas feiras de
gado.
O fato é que, durante o século XII,
Portugal adotou essa nomenclatura para os dias da semana. Ela é, praticamente,
insólita na História, privativa dos países de língua portuguesa.
Outras nações, que sempre forma mais
próximas do Papado, como Itália e Espanha (libertada dos árabes em 1492),
jamais a adotaram.
8 - A Páscoa
Todas as festas móveis da Igreja se
baseiam na Páscoa, que é uma herança do Velho Testamento e do calendário lunar.
A Páscoa judaica é chamada "Pessach"
(passagem), que comemora a travessia do mar Vermelho e, portanto, a libertação
dos judeus do cativeiro egípcio. Esta festa corresponde ao dia 15 do mês Nisan,
do calendário lunar hebreu.
O Imperador Constantino fixou, no
Concílio de Nicéia, em 325, a Páscoa cristã como sendo o 1º domingo depois da
1ª Lua cheia depois do equinócio da primavera (hemisfério norte).
Este varia entre 21 e 22 de março, mas
a Igreja fixou-o, internacionalmente, em 21 de março.
Isto deixava a Pessach judaica próxima
da Páscoa cristã, que varia entre 22 de março e 25 de abril. Outrora, os judeus
sacrificavam um cordeiro na Páscoa, lembrando que a última peste (que
convencera, finalmente, o Faraó a libertá-los) foi a morte dos primogênitos
egípcios. Nessa noite, os hebreus foram poupados, porque marcaram suas portas
com o sangue do cordeiro.
Os primeiros cristãos identificaram o
cordeiro sacrificado com o Cristo morto na cruz: o "Cordeiro de Deus que tira
os pecados do mundo". Mas desde o século IV, não houve consenso a respeito da
data da Páscoa, entre as igrejas do Ocidente e do Oriente.
E após 1582, os ortodoxos, como não
aceitaram o calendário gregoriano, passaram a festejar a Páscoa em outra data,
por obedecerem ao calendário juliano.
Eles o seguem até hoje, mas apenas no
que se refere às festas religiosas.
9 - As festas móveis da Igreja
a) Anteriores ao
domingo de Páscoa:
Sábado de Aleluia, Sexta-feira Santa (Paixão), Quinta-Feita Santa (Endoenças) e
Domingo de Ramos (que é o domingo anterior e que corresponde à chegada de Jesus
a Jerusalém).
A Quaresma
(período de recolhimento) dura, para os católicos, 46 dias e separa o domingo
de Páscoa da quarta-feira de cinzas. O dia anterior a esta é a terça-feira
gorda ou de Carnaval (não é festa da Igreja).
b) Posteriores ao
domingo de Páscoa:
Quarenta dias depois da Páscoa, temos a quinta-feira da Ascensão (subida
de Cristo ao Céu). Dez dias após esta é o domingo de Pentecostes (descida do
Espírito Santo sobre os apóstolos).
O domingo seguinte é o da Santíssima Trindade. A quinta-feira imediata seguinte
é o Corpus Christi (Corpo de Cristo)..
(continua)
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