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10. A
comemoração do Natal
(continuação -
ver parte inicial)
Não há qualquer referência à realização
de festividades pelos cristãos dos primeiros séculos, na data do nascimento de
Cristo. Tudo indica que, pelo menos até o século IV, eles consideravam a data
motivo de recolhimento, meditação e orações, ao contrário da euforia explosiva,
característica das festas pagãs.
Ainda no ano de 245, o teólogo Orígenes
repudiava a idéia de festejar-se o nascimento de Cristo "como se fosse um
faraó". O Cristianismo só se torna a religião oficial do império (a princípio,
oficiosa) com o Édito da Tolerância de Constantino, em 313.
Mas talvez só no século seguinte é que
o Natal tenha passado a ser comemorado de forma diferente, até chegar ao
exagero gastronômico (e pouco cristão) dos natais de hoje.
11- A data
A data precisa do nascimento de Cristo
é desconhecida. Até o século V, o Natal era comemorado em vários dias do ano,
conforme a comunidade.
As datas mais aceitas eram 6 de janeiro
(que hoje é a Epifania), 25 de março e 25 de dezembro.
Parece que o recenseamento citado no
Evangelho e decretado pelo imperador Otávio Augusto teria sido efetuado em
março. O dia 25 de dezembro aparece, pela primeira vez, numa passagem,
provavelmente espúria, de Teófilo de Antióquia (cerca de 180).
Depois, num comentário de Hipólito, em
202.
O primeiro calendário que registra 25
de dezembro é o de Philocalus, em 354. Afirma que, no "Ano I depois de Cristo,
o Senhor Jesus Cristo nasceu em 25 de dezembro, uma sexta-feira".
Hoje, porém, se sabe que o 25 de
dezembro do ano I, da maneira como se estabeleceu a Era Cristã, caiu numa
segunda.
A data atual do Natal foi fixada
definitivamente em 440, "a fim de cristianizar grandes festas pagãs realizadas
nesse dia: a festa mitraica (religião persa, que rivalizava com o cristianismo,
nos primeiros séculos), que celebrava o natalis invictis solis,
(nascimento do vitorioso sol) e várias outras festividades decorrentes do
solstício do inverno, como as saturnalia em Roma, e os cultos solares, entre os
celtas e os germânicos" (citamos a Enciclopédia Barsa).
Efetivamente, as saturnais romanas se
davam nessa época. Citemos o Dicionário Prático Ilustrado de Séguier:
"festas realizadas em Roma, todos os
anos, em 16, 17 e 18 de dezembro. Eram estabelecidas em honra da igualdade que
existia entre os homens no tempo em que Saturno, expulso do Céu por Júpiter,
viera habitar o Lácio. Reinava, nessas festas, verdadeira licenciosidade. Os
escravos vestiam a toga e fingiam mandar nos senhores. Tudo lhes era permitido.
O Carnaval dos nossos tempos é um eco das Saturnais".
Observação:
Carnaval vem do italiano "Carnevale", isto é, período em que se pode comer
carne. Foi sempre uma fase de descontração, que preparava o povo para o antigo
rigor da Quaresma. Primitivamente, se estendia do Dia de Reis até a
Quarta-feira de Cinzas, mas, atualmente, está restrito aos últimos quatro dias.
É o "Entrudo" de Portugal ou do Brasil
novecentista.
12 - O ano I
Nos primeiros séculos do cristianismo,
os anos eram contados a partir da fundação mítica de Roma, por Rômulo e Remo,
apesar de que alguns escritores tentaram estabelecer uma nova era.
Entretanto, quem iria empenhar-se
seriamente nesse sentido seria o frade Dionísio Pequeno (Dionysius Exiguus),
que nasceu no século V e morreu por volta de 540.
Dionísio era um importante tradutor de
obras do grego para o latim e possuía grande prestígio dentro da Igreja. Ele
lutou muito para que a contagem dos tempos deixasse de ser um prolongamento do
paganismo e se iniciasse com o nascimento de Cristo como Ano I (pois se
desconhecia o zero).
Finalmente, Dionísio conseguiu que, em
527, Justiniano, imperador de Constantinopla, adotasse tal origem para a Era
Cristã.
Cabia, agora, ao erudito monge,
estabelecer a data do nascimento de Cristo e ele a afixou no ano 754 (ou 753)
da fundação de Roma. E assim, vêm sendo contados os tempos.
Ocorre que a origem determinada por
Dionísio está errada: o Cristo nasceu no ano 749 da fundação de Roma. Consulte
o leitor, como exemplo, a data da morte de Herodes, rei da Judéia, em qualquer
enciclopédia, e encontrará o ano 04 antes de Cristo.
Ora, todos sabemos que Herodes era vivo
quando Jesus nasceu: conforme o Novo Testamento, ele mandou matar todas as
crianças com menos de 2 anos de idade. A falha é indiscutível.
Conclusão: há um erro de 4 ou talvez 5
anos na data do nascimento de Cristo. Então: tomando-se esse nascimento como
origem da nossa era, estaríamos hoje no ano 2009 ou talvez 2010!
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