Juventude
Luiz Roque professor, poeta e escritor
A poesia abaixo está publicada em seu livro "Canopus”  

Ora, como é natural, o jovem
conhece pouco.
E supervaloriza as limitadas noções
do que aprendeu.
É o "homem de um só livro",
que São Tomás receava.
Como os guardas vermelhos de Mao-Tsé-Tung.
Torna-se, pois, compreensível que o jovem
exorbite,
em nome do pouco que assimilou.
E que se lhe afigura... a verdade eterna.
Muitas vezes, ele jura por textos
que não leu
e abomina obras que sequer folheou.
Na sua incultura auto-suficiente,
ele se torna, ocasionalmente,
injusto, cruel, irrefletido.
E constrói sobre a areia.

Mas se ele é desta forma
... é porque assim tem de ser.
Descobrimos. certo dia, de repente,
que é belo e é fascinante e é sábio
que cada coisa, no mundo,
em extremos de responsabilidade,
seja exatamente... o que é.

Que a lua encante, que o sol aqueça,
que o relógio marque as horas.
E que o jovem creia
- visionário -
dentro de sua fé cega e estouvada.
Porque. até hoje. não se descobriu nada
mais sublime
do que a sua crônica temeridade.
Se nós a suprimirmos
... o que sobrará?

(fevereiro/94).

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