A poça que não queria morrer - III ( versão ocidental - 12/03/06)

"Portanto, tenha fé, Pocinha, pois essa é a chave que abre as portas do Paraíso das Poças Dágua".

"Sim, irmão, obrigada, já estou mais tranqüila", respondeu Pocinha, pálida, "mas, o que é que sobreviverá à evaporação de todas as minhas gotinhas?"

"O seu núcleo pessoal, ou seja, aquilo que em você discerne entre as pedrinhas coloridas e a lama escura e pegajosa", respondeu o ministro.

— "E será salvo pela graça, mesmo tendo falhado ao livrar-se dos detritos, e ainda por cima tendo, na verdade, se apegado a eles", completou outra poça dágua, muito piedosa.

"Ah, que alívio...", murmurou Pocinha, ao evaporar sua última gota.

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