A poça que não queria morrer - I (versão oriental - 14/03/06)

Chovera bastante à noite, e as alamedas do Parque estavam repletas de poças dágua, de todos os tamanhos. Cada uma delas continha sua parte de pedrinhas, lodo e folhas mortas, e todas refletiam um pouco do céu.

O sol, porém, surgiu inclemente e perdurou o dia inteiro, num calor imenso. As poças dágua menores, muito viçosas ao amanhecer, já definhavam ao meio dia, e, ao entardecer, muitas começaram a agonizar.

Uma delas, chamada Pocinha, ladeada de seus parentes e vizinhos, se lamentava: "Para que fui nascer, se tenho que acabar assim? Melhor fora não ter nascido. Passei a vida entre tempestades e sol causticante, e meu pequeno leito foi-se enchendo de mais lama e pedrinhas. E agora, o que será de mim?"

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