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Entrevista de Heródoto Barbeiro com o autor, na rádio CBN (2007) Clique abaixo para ouvir a entrevista AO ENCONTRO DO CAMINHO NA VIDA |
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NÚMEROS COMPLEXOS - 1980 (EXPOSIÇÃO HISTÓRICA) de José Carlos Corrêa Cavalcanti NÚMEROS COMPLEXOS - PARTE 1/5 NÚMEROS COMPLEXOS - PARTE 2/5 NÚMEROS COMPLEXOS - PARTE 3/5 NÚMEROS COMPLEXOS - PARTE 4/5 NÚMEROS COMPLEXOS - PARTE 5/5 |
LIVRO: AO ENCONTRO DO CAMINHO NA VIDA (2007) de José Carlos Corrêa Cavalcanti AO ENCONTRO DO CAMINHO NA VIDA |
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CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO (2011) de José Carlos Corrêa Cavalcanti CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 1/8 CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 2/8 CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 3/8 CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 4/8 CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 5/8 CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 6/8 CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 7/8 CONHECENDO A ZONA SUL DE SÃO PAULO - PARTE 8/8 |
SÍNTESE DAS PRINCIPAIS ABORDAGENS DA AROMATERAPIA (2019) de José Carlos Corrêa Cavalcanti SÍNTESE DAS PRINCIPAIS ABORDAGENS DA AROMATERAPIA |
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Ouça músicas...
de José Carlos Corrêa Cavalcanti (NOVA) O Verdadeiro AGENTE (20/12/24) (NOVA) O sono do estalajadeiro (26/03/24) |
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| 1º CD - Valsas, chorinhos e canções | 2º CD - Em cada canção que eu faço |
| 3º CD - Passeio Musical | 4º CD - Contemplação |
| (Som testado nos navegadores Google Chrome e Mozilla) | |
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POEMAS e REFLEXÕES ESOTÉRICAS
de José Carlos Corrêa Cavalcanti (2024) |
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O ESPELHO TRISTE E A AUTOIMAGEM FALSA
José Carlos Corrêa Cavalcanti- 25/12/25 Era uma vez um espelho... Ele não era um espelho especial, na verdade tinha uma aparência bem comum. Aconteceu que, com o tempo, ficou marcado com os respingos de tristeza, as nódoas da raiva e da revolta, as manchas da culpa e da mágoa. Tentou limpar-se, mas as marcas pareceram se fixar ainda mais. Passou a achar-se o último dos espelhos, muitos dos quais com frequência lhe diziam que ele estava sujo... E ele acreditava piamente. Sentindo-se muito infeliz, passou a trilhar caminhos em busca do fim do sofrimento. Mas continuou se sentindo sujo... E, nas vezes que tentou se limpar para ter uma imagem melhor, não conseguiu absolutamente nada. Já cansado, após muitos anos de de busca inútil, certo dia leu uma frase que o impactou muito: "O espelho nunca está sujo, por maior que seja a sujeira ela está sempre do lado de fora do espelho. Da mesma forma que a água NUNCA está suja, o que acontece é que ela está misturada com a sujeira, e por isso se considera suja". Então ele pensou: mas isso é a pura verdade! O espelho nunca está sujo, nem tampouco a água. Como poderiam as impurezas penetrar em suas moléculas? Deixaria, então, de ser água. MAS, SENDO ASSIM, O QUE É ISSO EM MIM QUE SE SENTE SUJO? Depois de muito refletir vários anos, ele percebeu que era não era o espelho, era sua AUTOIMAGEM que se sentia suja. Então perguntou-se: "MAS, O QUE É A AUTOIMAGEM?" Então ele percebeu que a autoimagem é uma coisa construída a partir do espelho quando este julga incorporar em si as marcas da existência, porém isso jamais acontece. A autoimagem resulta de uma compreensão que já nasce errada, e por isso é sempre falsa. Compreendeu, então, que é ela que sofre — NÃO O ESPELHO. E isso o libertou do sofrimento. |
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I - O OBSERVADOR É O OBSERVADO?
de José Carlos Corrêa Cavalcanti- 10/12/25 Até hoje, a famosa frase de J. Krishnamurti "O observador é o observado" causa dúvidas e questionamentos. Ela é contra-intuitiva. Como poderia o OBSERVADOR ser O OBSERVADO? Na esteira dessa poderosa afirmação, K. fez declarações parecidas: "O PERCEBEDOR É O PERCEBIDO", "O ANALISADOR É O ANALISADO", etc. Todas elas vêm da mesma raiz. Essa raiz é a compreensão profunda de que o centro de nossas percepções É VAZIO. Essa ideia é antiga: no Budismo, diz-se que o aposento onde ocorrrem nossas percepções é vazio, não tem ninguém lá dentro. E, contudo, existe percepção — mesmo não existindo AUTOR individual delas. Como essa afirmação pode ser entendida? Imagine que você entra num quarto escuro munido de uma lanterna. De início você não vê nada; mas, ao ligar a lanterna, tornam-se visíveis os objetos que lá estão. Uma cadeira, por exemplo, é iluminada. Você a vê nitidamente, envolvida pela luz. A cadeira e a luz estão unidas. Elas são DOIS? Ou são UM? Obviamente não são a mesma coisa. Mas, se fossem dois, de algum modo deveria ser possível separar uma coisa da outra. Isso, porém, não é possível. Portanto, não são DOIS e também não são UM. Quando a luz solar viaja pelo espaço sideral, ela NÃO É VISÍVEL. Só fica visível ao incidir sobre um objeto que possa refletí-la. Em outras palavras, só podemos ter consciência da luz graças aos objetos no qual ela incide. E os objetos somente podem ser percebidos se a luz incidir sobre eles. Luz e objetos precisam um do outro para se manifestar. ASSIM TAMBÉM EM TODA PERCEPÇÃO: percebedor e coisa percebida são dois aspectos da mesma realidade. Isso ocorre também com ONDA e PARTÍCULA, que são os dois aspectos nos quais a realidade se mostra, e você não pode separá-los. Agora responda: Como pode haver PERCEBEDOR independente do PERCEBIDO? Como pode haver OBSERVADOR independente do OBSERVADO? Simplesmente não é possível. Você não pode separar a luz dos objetos que ela ilumina, nem isolar o aspecto ONDA da matéria independentemente do aspecto PARTÍCULA. J. Krishnamurti sintetizou esse fato na afirmação "O PERCEBEDOR É A COISA PERCEBIDA". Vejamos um exemplo simples, que mostra claramente que a distância entre objetos não se mantém quando eles são mentalmente representados. Cada objeto que vemos está fisicamente separado de nós, certo? Uma cadeira, um quadro, um computador, uma torneira, etc. são objetos fisicamente diferentes de nós. Mas quando caracterizamos um objeto externo, estamos reagindo a ele, ao expressar quais são as sensações e percepções de nosso corpo/mente ao tomar contato com aquele objeto. Vamos prestar atenção no ato cognitivo, isto é na representação de um objeto qualquer em nossa mente. Esse quadro na parede, por exemplo. Não será ele meio grande demais? Suas molduras são apagadas e dão um pouco realce à tela pintada de cores frágeis e pouco contrastantes. As paisagens comunicam uma impressão de abandono, de vazio. O céu está totalmente nublado. Eu preferiria uma paisagem clara, nítida, de flores bonitas se mostrando ao sol entre caminhos recortados num jardim vistoso, onde pessoas felizes estivessem passeando tranquilamente... Mas o quadro que vejo não é nada disso; ele mostra ruas desertas e tristes que passam por entre casas igualmente tristes e desertas. Essa é a imagem que formei do quadro. Ela espelha as impressões que tive, juntamente com as descrições feitas. Notem que eu, como observador, sou também o construtor do quadro mental, que é o objeto observado, uma vez que ele foi inteiramente caracterizado por mim. Portanto, no ato cognitivo, ao realizar-se a representação mental a separação física que havia entre meu corpo e o quadro na parede desapareceu completamente. No aspecto mental, eu não sou separado do quadro que vejo. O "eu" que observa e o quadro que é observado são dois aspectos da mesma realidade, como os dois lados de uma moeda. Posso até mesmo dizer: EU ESTOU CONSCIENTE DE MIM MESMO NA VERSÃO QUADRO. Da mesma maneira, ao gravar a imagem de alguém como bondoso, gentil e atencioso, ou ao contrário: individualista, arrogante e de tendências violentas, é como se fosse um quadro que estou pintando mentalmente, sendo que no lugar das cores coloco os atributos que em mim se destacaram na interação com tal pessoa — que, EQUIVOCADAMENTE, eu julgava lhe pertencerem uniteralmente, sem sombra de dúvida! Agora, imagine que eu me encontre com tal pessoa: na verdade, estarei me encontrando é com a imagem que dela gravei anteriormente. E essa imagem vai moldar minhas percepções e interações com ela. EU, COMO CONSCIÊNCIA, ESTOU VENDO MINHA PRÓPRIA CRIAÇÃO. Ou seja, observador e observado são o MESMO INSTANTE DE CONSCIÊNCIA. O observador é o "eu pessoal" que constrói seu mundo psicológico de acordo com os materiais que traz na memória, os quais refletem sua história de vida, suas aprendizagens intelectuais e emocionais, suas crenças e condicionamentos. |
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II - EU NÃO SOU COMO JESUS
de José Carlos Corrêa Cavalcanti- 09/11/25 Eu não sou como Jesus Pois eu não faço milagres Não sei andar sobre as águas Nem acalmar tempestades. Eu não sou como Jesus Sei que é grande o contraste Mas muitas vezes pergunto: Pai, por que me abandonaste? Eu não sou como Jesus Isso é coisa muito rara Entrego a Deus cada dia O que Dele me separa. Eu não sou como Jesus Mas eu oro em secreto Na noite escura da alma Eu caminho num deserto. Eu não sou como Jesus Pois não faço profecias. Se uma vez morreu na cruz Eu morro todos os dias. Eu não sou como Jesus Sigo uma estrada vazia No caminho de Emaús Eu ando sem alegria. Mas EU SOU como Jesus Na origem de onde eu vim No silêncio do EU SOU Quando vazio de mim. |
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III - A CASA SEM AMO (14/out/25)
... A Neurociência descobriu que, quando que a amígdala detecta situações potencialmente ameaçadoras (amígdala é a parte do cérebro que detecta, INDEPENDENTE de informações verbais, situações consideradas de risco, como a visão de um inseto perigoso ou uma pessoa inamistosa), nossos pensamentos subsequentes serão precedidos de um processamento inconsciente de fundo emocional, o qual influenciará fortemente nossos julgamentos e decisões. Isso significa que, inúmeras vezes, temos pensamentos originados de alguma emoção atuante desde os bastidores (fora de nossa consciência) e direcionando nosso comportamento. Essa é a base sob a qual funcionam os personagens que representamos na vida, cada um dos quais, embora temporário, se passa por nosso legítimo eu, até ceder seu lugar a outros no carrossel da existência. Leia mais: A CASA SEM AMO |
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IV - REALIZAR O ESPÍRITO ABRINDO-SE À VERDADE
... Nosso eu pessoal pode ser comparado a um vaso com água e impurezas diversas como poeira, fragmentos de pedras e folhas mortas, as quais ficam boiando ou subindo e descendo dentro da água. Esses conteúdos simbolizam nossas tendências psicofísicas (nossa propensões inatas ou aprendidas a certas respostas emocionais face aos estímulos recebidos), nossos interesses, aprendizagens e condicionamentos ao longo da existência. Este é um modelo da mente humana. O Espírito ou Consciência, nesta analogia, é representado pela água. A água está suja? Impossível. Seu H20 é sempre o mesmo, incontaminado. O ego, porém, é a MISTURA, permeada de impurezas, que seriam os conteúdos dolorosos ou rejeitados da memória. Acontece que a Consciência quando se move para conhecer (perceber) algo, toma a forma de atenção pousando na coisa percebida. Do mesmo modo que a luz, ao iluminar um objeto, toma a forma desse objeto e, se fosse dotada de percepção, não se perceberia como luz pois não tem atributos: nem forma, nem cor, nem memória — então se teria que perceber a SI MESMA, equivocadamente, como sendo o objeto, que possui uma série de propriedades e qualidades. Leia mais: REALIZAR O ESPÍRITO ABRINDO-SE À VERDADE |
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V - SER E FAZER
1 A dimensão do Divino Não se encontra no fazer Esse é o campo do destino, Do carma, do vir a ser Mas não é esse o ensino Que nos fará renascer. 2 Lembrem de Marta e Maria A primeira, ocupada, Com as coisas de cada dia Intensamente focada, Mas estava equivocada E a boa escolha perdia. ... Leia mais: SER E FAZER |
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VI - MEU OLHAR PARA O MUNDO
1 Olho o mundo por meio Das portas sensoriais, Dos pensamentos dispersos E as sensações corporais. Não admira que eu perca A mim mesmo em coisas tais. 2 Pois as coisas manifestas Atraem muita atenção Ficando despercebido O autor da percepção — O infinito no finito, Além da compreensão. ... Leia mais: MEU OLHAR PARA O MUNDO |
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CONHECIMENTO REAL DA FINITUDE
José Carlos Corrêa Cavalcanti (13/dezembro/24)
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O CICLO CÓSMICO DA AUTODESCOBERTA
José Carlos Corrêa Cavalcanti (08/dezembro/24)
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O HOMEM QUE RECUSOU O CÉU
(02/junho/24)
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A SAGA DE 30 ANOS DE BUSCA ESPIRITUAL
(10/abril/23)
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ASPECTOS DA BUSCA RELIGIOSA
(23/abril/23)
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TRECHOS DO LIVRO "ANTES DO EU SOU" (de Mooji)
(14/julho/18)
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BEM AVENTURANÇA (24/fev/18)
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Frases que fazem pensar... (2/dez/17)
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LÉGUA TIRANA
de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira com Dominguinhos e Alceu Valença (13/junho/21)
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REPLAY
José Carlos C. Cavalcanti (fev/1983) Um instante: quero um replay da felicidade perdida. Onde está ela? Quero-a de novo, em câmera lenta. Quero de novo aquele momento bordado de amor, Em verde, vermelho, branco e dourado intenso. Lá fora a noite é profunda. Ninguém nas ruas. Ladram os cães: isso não me importa. Essa música suave fala de tantas coisas... É madrugada e eu não sei dormir; Já é tão tarde e eu não sei chorar. Sei que dentro de mim Há qualquer coisa muito machucada. Estou no meu país longínquo: Ele é todo meu, mas é tão deserto! Não sei o que fazer da vida. Rejeição, solidão, rimas em ão, Angústia que me rói por dentro, até onde, até quando, Tutu Marambá, não sei... O que quer de mim, não sei... Por isso, Quero um replay em câmera lenta, De qualquer momento mais feliz. ------------------------------------------------------------- |
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REENCANTAMENTO
José Carlos C. Cavalcanti (21/05/2004) Nos cantos por onde andei perdi de vista o encanto, Era tudo muito pau pau, pedra pedra. Hoje eu quero o reencanto. Amigos, eu quero o encanto e a magia, Sabem em que feira posso encontrar? Se souberem me avisem, que a vida assim não vale a pena. Me digam que é a magia do amor o que me falta. Me digam que é o encanto da paixão o que me falta. Me digam que é o descanso de uma religião o que me falta. E responderei que tudo isso já tive na vida, e, quando tinha, não tinha paz. Só se for outro Amor. Só se for outra Paixão. Só se for outra Religião. Estarão o puro Amor, Paixão e Religião na Solidão? Só me falta ali buscar, pois sempre temi. Ela sempre me pareceu inóspita como uma noite gelada, Vazia como uma praça solitária, Triste como uma tarde cinzenta de um feriado prolongado. E, afinal, o que alguém pode buscar na Solidão! Talvez, o reencantamento maior da alma conhecer o silêncio, de não precisar de mais nada, de não precisar mais fugir, de perder o medo da perda e de ser em si o que já é sem saber? ------------------------------------------------------------- |
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SEI QUE UM DIA DIREI ADEUS
José Carlos C. Cavalcanti (12/março/2004) Sei que um dia direi adeus E sei que será um momento sagrado. Porque quando penso que não mais verei essa chuva caindo Só então percebo, de um jeito diferente, como ela é bela e suave. Sei que um dia direi adeus E pode ser hoje ou amanhã, ou talvez agora. Por isso, neste momento de calma quero esquecer o tempo e ficar em silêncio. Sei que um dia direi adeus E tudo o que tive e não tive não terão mais importância Por isso agora me pergunto: Por quê sofrer por essas coisas? Sei que um dia direi adeus E talvez algo queira outra chance, outro vir a ser. Por isso me pergunto agora quem sou E descubro que também sou o Mistério insondável. Sei que um dia direi adeus E talvez compreenda então que, na existência, há bem e mal, e Algo que está além do bem e do mal, e se expressa por meio dessas polaridades apaixonantes e enganadoras. ------------------------------------------------------------- |
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QUISERA ESTAR NOS CAMPOS AGORA
José Carlos C. Cavalcanti (21/12/2002) Quisera estar nos campos agora sentindo no corpo o sol das tardes de outono, e olhando distraído as nuvens distantes. Quisera apenas testemunhar a magia de tudo, sem nomear as coisas, apenas vendo-as. Quisera esquecer o tempo e agarrar o agora, Mas ele foge como um passarinho que não vi sequer voar, Como um perfume que nem sequer pude cheirar, Como uma brisa que passou sem eu notar. Por isso, quisera estar nos campos agora entre as grandes árvores copadas e antigas, vendo ondular as palmeiras ao vento alto, no silêncio do rumor das águas tranquilas que nunca vi. Quem sabe então eu soubesse o que dizer para exprimir o que não sei o que é, e que é tão nada, mas parece ser tão tudo... Ou quem sabe eu esquecesse as palavras para apenas viver esses momentos sem lembrar nem esquecer deles depois. ------------------------------------------------------------- |
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CANSEI
José Carlos C. Cavalcanti (07/julho/2000) Cansei-me demais, finalmente cheguei ao ponto em que as consequências não mais importam, Em que o ontem não mais importa, e até o amanhã não mais importa. Realmente, me cansei em demasia de me antecipar para impedir o infortúnio, de cercar todas as condições, para direcionar o fluxo a meu favor. Cansei após demasiadas batalhas, cansei após demasiadas derrotas. Agora compreendi que não adianta lutar. Precisava chegar a esse ponto tão sem esperanças Para descobria a doçura da queda de todas as ilusões, o descanso de ser um fracasso completo assumido como tal. Precisava chegar nesse ponto tão sem esperança para descobrir o alívio de parar de atormentar a mente com mais esforço E descobrir o sossego de estar por conta do Universo. Sim, precisava chegar onde sempre temi, Para descobrir uma alegria triste e calma Ou uma calma tristeza alegre e pacífica. Já não tenho mais forças — por favor, não me digam para tentar mais uma vez, não me digam que ainda há esperanças: O Universo queria que eu parasse, e eu parei. Minha felicidade hoje é não esperar por nada mais. ------------------------------------------------------------- |
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ALGUÉM FALTOU AO ENCONTRO
José Carlos C. Cavalcanti (01/04/1977) Andando nos descaminhos de inúteis madrugadas, me perdi e estou sozinho, Vi que não descobri nada. Pelas vias e desvios Procurei por um jardim Mas desertos e estios Foi o que ficou prá mim. Estive, mas já não estou. Parece que já fui embora. Aquilo que procurei Não veio na exata hora. Que era? Nem eu o sabia. Assim, não o podia achar. Se achei, nem percebi. Não quero mais procurar. Tive a precisa coragem, De outra coisa não me lembro. Fiquei à beira da margem À espera de um setembro: De cor, flor e primavera Surgida depois da espera Sem amor nem poesia. Pelas estradas da vida quase tudo aconteceu ALGUÉM FALTOU AO ENCONTRO QUANDO O ENCONTRO SE DEU E ESSE ALGUÉM ERA EU. ------------------------------------------------------------- |
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O RAIO DE SOL QUE NÃO SE RECONHECEU
José Carlos C. Cavalcanti (25/04/1999) Era uma vez um raio de sol que, juntamente com incontáveis trilhões de trilhões de outros, aquecia a vida na Terra, iluminando sua face enquando ela girava pelo espaço. Esse raio de luz percebeu que, ao doar sua energia e calor às plantas, desabrochavam lindas flores... pelas quais, invariavelmente, ele se apaixonava perdidamente. "São tão belas e coloridas, perfumadas e sedutoras!" Quando elas morriam, ele lamentava: "Pobre flores! Como é triste vê-las fenecer!" Mas o tempo passou, e ele se apaixonou de novo por outras lindas flores desconhecidas, E elas morreram também... Até que um dia, depois de testemunhar inúmeras vezes a morte de suas amadas, seguida pelo florir de tantas outras, perguntou-se: Que significa esse ciclo eterno de surgimento, apogeu e cessação de todas as coisas no espetáculo da existência? Afinal quem sou eu? Intuído de descobrir quem ele era, pôs-se a procurar... "Talvez minha origem esteja naquela pedra Sagrada no topo da mais alta montanha, conforme dizem os homens", pensou. Para lá se dirigiu, mas não viu nada demais. Outras pistas que veio a seguir revelaram-se, também, inúteis. Dizem que esse Raio de Sol continua procurando até hoje. Ele não via o Sagrado dentro dele mesmo e, na verdade, como ele mesmo. Não podia perceber sua própria substância, achando que era diferente... de sua origem. Projetado nos elementos da manifestação, que tanto amava, NELES via o sentido da vida, embora fossem efêmeros, mutáveis e finitos. É por isso que o poema anterior diz: "ALGUÉM FALTOU AO ENCONTRO QUANDO O ENCONTRO SE DEU E ESSE ALGUÉM ERA EU." ------------------------------------------------------------- |
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